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Quanto lhe custa realmente a Glovo: a conta e o ponto de equilíbrio

30 % de comissão sobre 8 000 € de encomendas por mês são 28 800 € por ano. A conta com os seus números, o limiar em que uma mensalidade fica mais barata, e porque mesmo assim não deve sair das plataformas.

Um restaurante que faz 8 000 € de encomendas por mês na Glovo, com entrega da plataforma, entrega cerca de 2 400 € de comissão. Ao ano, 28 800 €. É um salário.

Este artigo não lhe diz para abandonar as plataformas. Seria um mau conselho, e explicamos porquê mais abaixo. Dá-lhe a conta a fazer com os seus próprios números, e o limiar a partir do qual passar tudo pela plataforma lhe custa mais do que lhe rende.

1. A percentagem anunciada não é o que paga

As percentagens de referência em Portugal, em 2026:

SituaçãoGlovoUber EatsBolt Food
Entrega você~15 %~15 %variável
Entrega a plataformaaté 35 %até 30 %variável

As três negoceiam caso a caso, e as ofertas de entrada (0 % nos primeiros tempos, isenção de taxas nos primeiros 30 dias) mascaram a percentagem que pagará depois. É o valor após o período promocional que conta.

A fatura real quase sempre ultrapassa essa percentagem, e não por engano: por rubricas que ninguém conta no início.

  • As promoções cofinanciadas. Descontos e entregas grátis saem em parte do seu bolso, e a comissão é muitas vezes calculada antes.
  • Os reembolsos a clientes. Uma encomenda contestada é reembolsada. Se não contestar a tempo, é-lhe descontada.
  • A visibilidade paga. As posições destacadas são faturadas além da comissão.
  • Os custos de transação sobre a cobrança.

O único número que conta não é o do contrato: é o montante realmente creditado na sua conta, dividido pelo total das encomendas do mês. Pegue em três extratos e faça a divisão. Costuma ser o quarto de hora mais instrutivo do ano.

2. A conta, com os seus números

Uma solução de encomenda direta paga-se por mensalidade, mais os custos bancários (da ordem de 1,5 % mais 0,25 € por transação com cartão europeu). Tomemos a nossa própria tarifa como referência: 130 € com IVA por mês, ou seja cerca de 106 € sem IVA.

O ponto de equilíbrio é a faturação a partir da qual a mensalidade fica mais barata do que a comissão:

Está nosO limiar está em
35 %cerca de 320 € sem IVA de encomendas por mês
30 %cerca de 400 €
15 % (entrega você)cerca de 800 €

Mesmo na percentagem mais baixa, o limiar fica abaixo dos 1 000 € mensais. Praticamente qualquer casa que entregue ultrapassou-o há muito.

3. Mas não saia da Glovo

É aqui que erram quase todos os artigos sobre o tema, incluindo os dos nossos concorrentes.

Um agregador não é apenas um custo, é um canal de descoberta. Pessoas que não o conhecem encontram-no porque procuravam « pizza » às oito da noite. Essa visibilidade vale alguma coisa, e a comissão paga-a.

O problema não está aí. Está em que depois de captado o cliente, continua a pagar 30 por cento sobre cada uma das encomendas seguintes, quando ele já o conhece, o procura pelo nome, e a plataforma nessa encomenda já não lhe traz nada.

Não está a pagar uma captação. Está a pagar uma portagem vitalícia.

4. A estratégia que resulta

Cabe numa frase: manter o agregador para ser descoberto, e trazer os habituais para o seu próprio canal.

Em concreto:

  1. Fique na plataforma, pelo menos onde lhe traz clientes novos.
  2. Abra o seu canal de encomenda, no seu site e, se puder, numa aplicação com o seu nome.
  3. Ponha o link onde o cliente passa: no saco da entrega, no talão, na caixa da pizza, no seu Instagram, na sua ficha do Google.
  4. Dê um motivo para mudar. Um prato oferecido ao fim de cinco encomendas diretas custa infinitamente menos do que 30 por cento sobre cinco encomendas.
  5. Veja todos os meses a proporção entre encomendas diretas e encomendas de plataforma. É o único indicador que conta.

Uma casa que passa um terço do volume para direto recupera, sobre 8 000 € mensais, cerca de 760 € por mês, sem perder a visibilidade da plataforma.

5. O que verificar antes de escolher um fornecedor

Nem todas as soluções de encomenda direta são iguais. Bastam três perguntas:

  • 0 % de comissão a sério, ou 0 % « de comissão » com custos por encomenda? Peça por escrito.
  • De quem é a base de clientes? Se não for exportável, apenas mudou de dono.
  • O que acontece se sair? Um fornecedor que não lhe devolve a ementa e os clientes prende-o tanto como um agregador.

Perguntas frequentes

Quanto cobra realmente a Glovo a um restaurante? Até 35 % com entrega da plataforma, cerca de 15 % se entregar você. As percentagens são negociadas caso a caso e as ofertas de entrada não refletem o que pagará depois.

E a Uber Eats? Até 30 % com entrega da plataforma, cerca de 15 % em entrega própria.

E a Bolt Food? Também negoceia caso a caso, com isenção de taxas nos primeiros 30 dias para novos restaurantes.

A partir de que faturação compensa uma mensalidade? Cerca de 400 € sem IVA de encomendas por mês face a 30 %, cerca de 800 € face a 15 %. Acima disso, a diferença cresce linearmente.

Devo abandonar completamente as plataformas? Não. Servem para ser descoberto. O que deve deixar de fazer é pagar comissão de captação por clientes já captados.

Quanto tempo demora a passar parte do volume para direto? Conte vários meses. Os primeiros clientes diretos são os habituais, os que encomendam todas as semanas e que o procurarão pelo nome se lhes der a morada.

Para terminar

A conta é simples, e não nos convém complicá-la: acima de algumas centenas de euros de encomendas mensais, uma mensalidade fixa custa menos do que uma percentagem. O difícil não é a aritmética, é trazer os habituais para o seu canal. Isso leva meses e algum método.

Somos uma das soluções de mensalidade fixa, sem comissão, com aplicação com a sua marca. Ver o que isso dá, ou falar connosco.

Percentagens recolhidas em agosto de 2026 em tabelas públicas e comparativos do setor. Verifique as suas nos seus próprios extratos: é o único número que vale.